O tratamento cirúrgico da obesidade no Sistema Nacional de Saúde: organização e desafios
- Dr. André Costa Pinho
- 7 de jan.
- 2 min de leitura
O tratamento cirúrgico da obesidade no Sistema Nacional de Saúde (SNS) está estruturado há vários anos e tem permitido que muitos doentes com obesidade acedam à cirurgia bariátrica e metabólica. Reconhecendo os benefícios destas intervenções, a Direção-Geral da Saúde e o Ministério da Saúde integraram-nas na rede hospitalar pública, emitindo normas e decretos-lei que visam melhorar a acessibilidade e garantir um percurso clínico bem definido.
Atualmente, existem normas de orientação clínica que especificam de forma clara os critérios de elegibilidade, os exames a realizar e as especialidades pelas quais o doente deve passar antes da decisão final. Todo este processo tem como objetivo avaliar a relação risco-benefício e selecionar a técnica cirúrgica mais adequada a cada caso.
Importa referir que nem todos os hospitais públicos estão habilitados para realizar este tipo de cirurgias. Assim, o processo começa sempre no Médico de Família, que encaminha o doente para um centro hospitalar com equipas multidisciplinares e capacidade técnica para cirurgia bariátrica e metabólica.
Os tempos de espera variam bastante entre unidades hospitalares, influenciados pela procura, referenciação e capacidade interna de resposta. Em alguns hospitais, o processo completo demora menos de um ano; noutros, pode ultrapassar os dois anos. É importante que os doentes estejam informados, até porque parte dessa demora resulta da fase de avaliação pré-operatória — e não apenas da lista de espera cirúrgica — o que frequentemente gera confusão.
Nos últimos anos, tem sido feito um esforço significativo para reforçar a capacidade do SNS nesta área: reorganização da gestão, incentivos à produção e expansão para mais hospitais têm contribuído para aumentar o número de cirurgias realizadas. Só em 2024, segundo dados da Direção Executiva do SNS, foram efetuadas 1 911 cirurgias bariátricas pelo setor público.
A elevada procura reflete o reconhecimento generalizado das vantagens da cirurgia bariátrica e metabólica. Por isso, é essencial continuar a capacitar o SNS para garantir que todos os doentes têm acesso aos melhores tratamentos, de forma segura, atempada e eficaz.









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