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Perguntas frequentes
Pré-Operatório
Pós-Operatório (Primeiro Mês)
Pós-Operatório (Primeiro Ano)
O tratamento cirúrgico da obesidade, também denominado de cirurgia bariátrica, é o tratamento mais eficaz e perdurável para as formas graves de obesidade e doenças associadas. Quando o objetivo principal é o controlo metabólico das doenças associadas (como os diabetes) pode-se utilizar a denominação cirurgia metabólica.
Note-se que estas cirurgias são consideradas tratamentos de última linha, ou seja, os doentes devem ter tentado previamente outros tratamentos não invasivos, como dieta e exercício físico, sem obtenção de resultados satisfatórios.
Segundo as novas guidelines internacionais (IFSO e ASMBS, Outubro2022)(https://30b58b6d-0443-4415-83fa-001f6c497b14.usrfiles.com/ugd/30b58b_75f225f02c00468c978b4073302b85bd.pdf) a cirurgia bariátrica e metabólica é recomendada para pessoas com:
- IMC ≥ 35kg/m2
- IMC ≥ 30kg/m2 com doenças ou limitações associadas à obesidade que não obtenham resultados substanciais ou duradouros com tratamentos não cirúrgicos;
Outros critérios de seleção:
- não existe limite superior de idade: após os 65 anos deve-se efetuar uma avaliação individualizada do risco-benefício;
- as crianças e adolescentes com obesidade severa também podem ser consideradas candidatas após avaliação extensa por equipas especialmente dedicadas em centros de excelência;
- doentes obesos (IMC ≥ 30kg/m2) que necessitem de outras cirurgias (ex: artroplastias anca ou joelho, cirurgia à coluna, correção de hérnias abdominais, transplantação) beneficiam particularmente de perda de peso eficaz após cirurgia bariátrica e metabólica;
- sem dependência de álcool ou drogas;
- capacidade para compreender os riscos e os cuidados pós-operatórios;
- gravidez não prevista para o primeiro ano após a cirurgia;
- sem patologia psiquiátrica grave ou não estabilizada;
- sem patologia oncológica recente ou ativa.
NOTA: O Índice de Massa Corporal (IMC), principal referência para a consideração do acesso a estas cirurgias, tem reconhecidas limitações e deverá ser complementadas por várias outras informações. Por isso, estas normas de orientação poderão ser adequadas pela equipa multidisciplinar após a análise de cada caso.
A- Perda de peso significativa, sustentada e perdurável
B- Prevenção, melhoria ou resolução das doenças associadas à obesidade
C- Melhoria da qualidade de vida
A cirurgia bariátrica não é uma cirurgia estética, isto é, não tem como objetivo principal melhorar a aparência física ou a noção subjetiva de beleza. No entanto pode ser um adjuvante ou complemento de várias cirurgias estéticas.
• Perda de peso
Cerca de 12-18 meses após a cirurgia é de esperar que o doente tenha um peso próximo do seu peso ideal, isto é terá perdido 80-95% do seu excesso de peso. Por exemplo, um doente com 100Kg e com um altura de 1,60m tem 36Kg a mais do que o seu peso ideal (excesso de peso). É de esperar que esse doente mais ou menos 1ano após a cirurgia tenha um peso entre 66-68Kg, ou seja, tenha perdido cerca de 33Kg.
A perda de peso após a cirurgia está dependente de vários fatores como a cirurgia realizada, a idade do doente, o grau de motivação e cumprimentos das recomendações prestadas pela equipa multidisciplinar. Cada doente reage de forma única à cirurgia – os valores apresentados são uma referência que derivam dos estudos das grandes séries de doentes operados em todo o mundo, isto é, representam a média dos resultados obtidos.
Existem ferramentas que permitem estimar a curva de perda de peso ao longo do tempo, adequada às principais variáveis de cada doente e apresentando os intervalos de variabilidade – consulte o seu cirurgião se pretender obter essa estimativa.
• Prevenção, melhoria ou resolução das doenças associadas à obesidade
Após a cirurgia bariátrica, espera-se que a maioria das doenças associadas à obesidade tenha uma melhoria significativa ou até mesmo resolução definitiva. Isto pode-se traduzir por:
- redução ou suspensão da medicação crónica (por exemplo para os diabetes ou para a hipertensão arterial)
- melhoria ou resolução dos sintomas (por exemplo deixar de ter dores nos joelhos, deixar de ter perdas urinárias)
- melhoria das análises (por exemplo baixar o colesterol ou triglicerídeos)
- deixar de necessitar de outros tratamentos como por exemplo os aparelhos de ventilação não invasiva para a apneia do sono ou infiltrações articulares para o tratamento de osteoartrites
Está também demonstrado que a cirurgia bariátrica, resultando em efetiva perda de peso, tem uma importância significativa na prevenção de eventos cardiovasculares (tromboses, enfartes, AVCs) e de vários tipos de cancros.
• Melhoria da qualidade de vida
Um dos principais aspetos que os doentes relatam após a cirurgia, é a recuperação da qualidade de vida. A avaliação da qualidade de vida é algo intrinsecamente subjetivo, multifatorial e muito abrangente. No entanto, existem ferramentas que permitem fazer essa avaliação, e os estudos demonstram inequivocamente que os doentes melhoram a qualidade de vida após a cirurgia.
É comum os doentes dizerem que conseguem sem esforço caminhar à beira mar, brincar com os filhos, praticar o desporto que tanto gostavam, ou simplesmente cruzar as pernas.
Notam também um aumento da auto-estima, uma melhoria das relações inter-pessoais, mais vontade de viver, mais felicidade. Sentem-se menos criticados e menos discriminados.
Segundo as normas da Direção Geral de Saúde (DGS), e em conformidade com as recomendações internacionais, os doentes candidatos ao tratamento cirúrgico da obesidade, devem realizar vários exames e devem ser avaliados por várias especialidades médicas.
Os doentes devem realizar análises ao sangue e à urina, endoscopia digestiva alta com biópsia gástrica e ecografia abdominal. É aconselhável a observação pelas especialidades de Endocrinologia ou Medicina Interna, Psicologia ou Psiquiatria, e Nutrição. Outros exames e outras observações por especialidades podem ser necessárias dependendo de cada caso. É frequente os doentes serem observados por Anestesiologia, Cardiologia ou Pneumologia, dado que muitas vezes a obesidade se associa a doenças dessas áreas.
Estes exames e consultas têm vários objetivos. Os mais importantes são:
• excluir doenças metabólicas que possam contribuir para o excesso de peso, e cujo tratamento médico poderá ajudar a tratar a obesidade
• excluir comportamentos aditivos ou desordens alimentares que devem ser devidamente controlados antes de se considerar qualquer outro tratamento
• identificar distúrbios metabólicos, deficiências nutricionais ou outros problemas de saúde que possam aumentar os riscos, e que devem ser devidamente otimizados antes da cirurgia
• preparar o doente para as mudanças após a cirurgia, quer a nível dietético como a nível psicológico e social
• caracterizar extensivamente o doente para se poder recomendar o tratamento que poderá ter mais êxito, nomeadamente se beneficia mesmo com a cirurgia bariátrica, e qual a cirurgia mais adequada a cada caso
Quando a avaliação pré-operatórias é realizada dentro deste conceito multidisciplinar, em cumprimento das guidelines internacionais, está demonstrado que os resultados serão melhores, e as dificuldades e riscos para os doentes serão menores.
É também importante realçar que o sucesso do tratamento cirúrgico da obesidade está relacionado com a experiência de toda a equipa multidisciplinar. Por isso a DGS reconhece a existência de 14 Centros de Tratamento Cirúrgico da Obesidade no Sistema Nacional de Saúde e 7 Unidades Privadas. (https://www.ers.pt/uploads/writer_file/document/2448/ERS_-_Cuidados_obesidade_SNS.pdf)(https://www.ers.pt/uploads/writer_file/document/2448/ERS_-_Cuidados_obesidade_SNS.pdf). É nestes hospitais que se encontram as equipas mais experientes e que oferecem maiores garantias de sucesso neste tratamento.
De notar que o Centro Hospitalar Universitário São João, onde exerço a minha atividade, é o único centro no país reconhecido como Centro de Elevada Diferenciação no Tratamento Cirúrgico da Obesidade. É também aquele que realiza mais cirurgias bariátricas em Portugal, e que tem maior volume global de doentes.
Procure ser tratado por médicos e cirurgiões sub-especializados no tratamento da obesidade. Esta é uma área de conhecimento abrangente, em rápida evolução, que exige enorme dedicação e especialização a todos os profissionais envolvidos.
Existem várias cirurgias bariátricas, isto é, várias técnicas para o tratamento cirúrgico da obesidade.
No último grande inquérito mundial realizado pela International Federation for the Surgery of Obesity and Metabolic Disorders (IFSO) (maior sociedade internacional do tratamento cirúrgico da obesidade) realizado em 2018 e envolvendo quase 700.000 cirurgias realizadas nesse ano em todo o mundo observa-se o seguinte:
https://static.wixstatic.com/media/30b58b_0ecf4c8f188e4edabf5ba3b8f604a8f6~mv2.png
(Angrisani, L., Santonicola, A., Iovino, P. et al. Bariatric Surgery Survey 2018: Similarities and Disparities Among the 5 IFSO Chapters. OBES SURG 31, 1937–1948 (2021). https://doi.org/10.1007/s11695-020-05207-7)(https://doi.org/10.1007/s11695-020-05207-7)
O Sleeve Gástrico (SG) e o Bypass Gástrico em Y-Roux (RYGB) correspondem a quase 85% de todas as cirurgias realizadas, e em terceiro lugar fica o Bypass Gástrico de Anastomose Única (OAGB) com 6,6%. Note-se também que o número de cirurgias bariátricas realizadas em todo o mundo duplicou de 2008 para 2018. A banda gástrico (AGB), outrora uma das cirurgias mais realizadas, tem vindo a diminuir drasticamente e ocupa agora uma posição residual com 1,4% de todas as cirurgias realizadas.
Saiba mais sobre cada cirurgia (https://www.andrecostapinho.pt/tratamento-cirurgico)
As cirurgias bariátricas são seguras, apresentando baixo risco de complicações cirúrgicas. O perfil de segurança é semelhante a outras cirurgias como a remoção do apêndice (apendicectomia) e a remoção da vesícula biliar (colecistectomia).
Os riscos pós-operatórios imediatos são aproximadamente:
- 5% complicações ligeiras, que apenas prolongam o tempo de internamento em 1 a 3 dias;
- 1% complicações graves, com necessidade de reoperação ou cuidados intensivos;
- <0,1% mortalidade no primeiro mês pós-operatório (por qualquer causa)
A longo prazo existe também a possibilidade de deficiências nutricionais, como por exemplo deficiência de Ferro ou de vitamina B12. Essas eventuais deficiências têm consequências clínicas ligeiras e habitualmente são corrigidas através do reforço de suplementos vitamínicos (comprimidos). O acompanhamento pós-operatório pela equipa multidisciplinar é essencial para a deteção e correção dessas alterações.
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