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Tratamento Cirúrgico

Bypass Gástrico em Y-Roux

Sleeve Gástrico

“Gastrectomia Vertical”

SASI
(Single anastomosis sleeve ileal bypass)

Bypass Gástrico de Anastomose Única

“Mini Bypass Gástrico”

SADIS

(Single Anastomosis Duodenal-Ileal Bypass with Sleeve)

Cirurgias Revisionais

Existem várias cirurgias bariátricas, isto é, várias técnicas para o tratamento cirúrgico da obesidade.

Segundo o relatório mais recente do Registo Global da IFSO (International Federation for the Surgery of Obesity and Metabolic Disorders — a maior sociedade internacional do tratamento cirúrgico da obesidade), que reuniu dados de 2023 relativos a cerca de 600.000 cirurgias realizadas em 37 países, o Sleeve Gástrico mantém-se como a cirurgia mais realizada em todo o mundo (57%), seguido do Bypass Gástrico em Y-Roux (32%) e do Bypass Gástrico de Anastomose Única (6%). A banda gástrica, outrora uma das cirurgias mais realizadas, ocupa hoje uma posição residual. Técnicas mais recentes, como o SADI-S e o SASI (Single Anastomosis Sleeve Ileal bypass), encontram-se em crescimento e passaram a ser individualizadas nos relatórios internacionais.

O mesmo relatório confirma a segurança destas cirurgias: na maioria dos países, a mortalidade pós-operatória reportada é inferior a 0,1%.

Gráfico das cirurgias bariátricas e metabólicas realizadas no mundo em 2023 — Registo Glob

International Federation for the Surgery of Obesity and Metabolic Disorders. 9th IFSO Global Registry Report (dados de 2023). Disponível em: https://www.ifso.com/pdf/9th-ifso-global-registry-report-2024.pdf

quadro

Quadro comparativo das principais cirurgias

Cirurgia Bariátrica
Sleeve Gástrico
Bypass Gástrico em Y-Roux
SASI
Técnica
Redução estômago para 25%; sem desvio dos alimentos para o intestino
Redução estômago para 10% e duas ligações com o intestino; desvio total dos alimentos para o intestino
Redução do estômago (tipo Sleeve) e uma ligação ao intestino distal; desvio parcial dos alimentos para o intestino
Simplicidade da técnica
Mais simples
Mais complexa
Intermédia
Duração da cirurgia (aprox.)
1:00h
1:30h
1:30h
Capacidade do estômago após cirurgia 
100mL
30-40mL
100mL
Remoção parcial do estômago
Sempre (através de pequena incisão 2cm)
Não (só em casos selecionados)
Sempre (através de pequena incisão 2cm)
Perda de Peso
70-90% do excesso de peso
80-100% do excesso de peso
80-90% do excesso de peso
Manutenção do Peso a longo prazo
Mais dependente do doente
Mais estável
Ainda em investigação
Mecanismo de perda de peso
Menor ingestão de alimentos e saciedade precoce
Menor ingestão de alimentos, menor absorção e alteração das hormonas intestinais
Menor ingestão de alimentos, alteração das hormonas intestinais e diminuição parcial da absorção
Absorção de nutrientes e vitaminas
Pouco alterada
Diminuída
Pouco diminuída (ainda em investigação)
Suplementos vitamínicos após a cirurgia
Pelo menos 1 ano
A longo prazo
A longo prazo
Melhoria dos diabetes e outras doenças associadas
Menos frequente
Mais provável
Provável
Refluxo / azia
Pode piorar
Resolução completa
Pode agravar, mas menor risco que o Sleeve

Sleeve gástrico ou Gastrectomia vertical

O Sleeve consiste na redução do estômago para cerca de 20-25% do seu volume inicial, transformando-o num tubo com cerca de 3cm de diâmetro. A outra parte do estômago (~75%) é removida. Este procedimento não altera o intestino.

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© Dr Levent Efe, courtesy of IFSO"

Bypass gástrico em Y-Roux

No Bypass Gástrico em Y-Roux, ou Bypass Gástrico “tradicional”, efetua-se uma redução ainda mais significativa do estômago para cerca de 10% do seu volume inicial, transformando-o numa bolsa com cerca de 4x8cm. Depois efetua-se uma ligação dessa bolsa ao intestino proximal, cerca de 1m distal ao duodeno. Finalmente, e para evitar refluxo biliar, efetua-se uma segunda ligação do intestino proximal ao intestino mais distal. No final do procedimento não é removida nenhuma parte do tubo digestivo, mas a comida ao chegar à pequena bolsa de estômago é desviada para o intestino, não passando pela maior parte do estômago, nem pelo duodeno, nem pelo intestino delgado proximal.

Raramente quando o doente tem risco acrescido de cancro gástrico, pode ser necessário remover a parte do estômago (~90%) por onde não passaria a comida. Essa variação da técnica chama-se Bypass Gástrico com exérese de remanescente, e é utilizada apenas em casos selecionados.  

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© Dr Levent Efe, courtesy of IFSO"

Bypass Gástrico de Anastomose Única ou “Mini-Bypass Gástrico”

No Bypass Gástrico de Anastomose Única, ou “Mini-Bypass”, o estômago é reduzido para cerca de 15% do seu volume inicial, criando-se uma bolsa com cerca de 3x15cm. Depois efetua-se uma ligação dessa bolsa ao intestino médio, cerca de 2m distal ao duodeno. No final do procedimento não é removida nenhuma parte do tubo digestivo. A comida chega à bolsa de estômago e passa diretamente para o intestino, não passando pela maior parte do estômago, nem pelo duodeno, nem pelos 2 metros iniciais do intestino delgado.

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© Dr Levent Efe, courtesy of IFSO"

SASI

O SASI (“Single anastomosis sleeve ileal bypass”) também designado por OATB (“One Anastomosis Transit Bipartition”) é uma cirurgia que combina dois mecanismos numa só intervenção. Numa primeira fase realiza-se um Sleeve gástrico, reduzindo o estômago para cerca de 25% do seu volume
inicial. Numa segunda fase efetua-se uma única ligação da porção inferior do estômago ao intestino delgado distal (íleo). Com esta configuração, parte dos alimentos seguem o trajeto digestivo normal e a outra parte é desviada diretamente para o intestino mais distal. Esta chegada precoce dos alimentos ao íleo estimula a libertação de hormonas intestinais que aumentam a saciedade e melhoram o controlo metabólico, ao mesmo tempo que reduz parcialmente a absorção dos alimentos. Ao contrário do Bypass Gástrico em Y-Roux, o SASI preserva a continuidade do tubo digestivo — mantém-se o acesso ao estômago e às vias biliares por endoscopia.

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© Dr Levent Efe, courtesy of IFSO"

SADIS

O SADIS (Single Anastomosis Duodenal-Ileal Bypass with Sleeve) inicia-se pela realização de um Sleeve, como descrito previamente. 
Depois procede-se à seção do duodeno e efetua-se uma ligação do duodeno ao intestino médio. 
Desta forma a parte inicial do intestino não participa na absorção dos alimentos, o que contribui para a perda de peso e melhoria das doenças associadas. A preservação do piloro diminui a possibilidade de Dumping.

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© Dr Levent Efe, courtesy of IFSO"

Cirurgias revisionais

Embora incomum, existe a possibilidade de reganho de peso, perda de peso insuficiente ou complicações após cirurgias bariátricas prévias. Neste contexto, as opções mais comuns são:

- Após Banda gástrica: remoção da banda gástrica e conversão preferencialmente para Bypass Gástrico em Y-Roux;
- Após Sleeve: conversão para SADIS ou para Bypass Gástrico em Y-Roux
- Após Bypass Gástrico em Y-Roux: distalização de ansa bilio-pancreática, reshaping da bolsa gástrica ou colocação de anel peri-gástrico

As cirurgias bariátricas revisionais são complexas pelo que requerem extensa avaliação pré-operatória e elevada experiência das equipas cirúrgicas para obtenção de resultados satisfatórios, com baixos riscos peri-operatórios. 

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