Um dia na vida de quem fez cirurgia bariátrica – histórias da vida real
- há 13 horas
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Acordo às 7h00, um ano depois da minha cirurgia bariátrica.
A primeira diferença é logo ao levantar: o corpo pesa menos, as articulações doem menos, respirar é mais fácil. Tomo o pequeno-almoço devagar, em pequenas porções, como a nutricionista me explicou. Ainda tenho de me lembrar de mastigar bem e não beber líquidos junto com a refeição; não é automático, mas já vai fazendo parte da rotina.
Vou trabalhar a pé, um trajeto de 20 minutos que antes era impensável. No escritório, já não fujo das escadas nem dos colegas. As roupas deixaram de ser um problema: visto o que gosto, não apenas o que serve. Ainda assim, levo sempre uma pequena refeição saudável para meio da manhã, para evitar deslizes na máquina de snacks!
Ao almoço, tento escolher os alimentos: proteína, legumes e fruta. Tudo em pouca quantidade mas também não me apetece mais. Os colegas comentam a diferença, mas nem todos entendem que a cirurgia não é “batota”, é uma ferramenta. Ainda há dias em que a cabeça quer comer como antes, e é aí que o apoio psicológico entra — aprendi a reconhecer a fome emocional e a lidar com a ansiedade de outras formas.
À tarde tenho consulta de seguimento com a equipa multidisciplinar. Avaliamos o peso, revemos as análises e ajustamos os suplementos. Mas também falamos do sono, humor e da relação com a comida. Sinto que não estou sozinho: há um plano, metas e alguém a quem prestar contas.
À noite, janto cedo e leve. Olho para trás e vejo não só quilos perdidos, mas medicação reduzida, menos falta de ar, mais energia para a família. A cirurgia mudou o meu estômago, mas o acompanhamento contínuo é o que está a transformar, todos os dias, a minha vida.




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